domingo, 6 de abril de 2008

A HISTÓRIA DA VIVIAN FLORÊNCIO




Desaparecimento de menina permanece um mistério
Num verdadeiro desafio para a polícia, o “caso Vivian”, como ficou conhecido o desaparecimento da garotinha Vivian Florêncio, 3 anos, e o assassinato da mãe dela, a artesã Maria Emília Cacciatore Florêncio, 38, completa hoje três anos, ainda envolto em mistério. Há um único acusado do crime, o sargento da Polícia Militar Edson Prado, que está em liberdade, mas deverá ser levado a júri ainda este ano, para responder pela morte da mulher. Quanto a Vivian, que seria filha de Prado, nada se sabe. Embora existam fortes suspeitas que ela também está morta, o corpo nunca foi encontrado. O sargento foi preso em 12 de março de 2005 (três dias depois do encontro do cadáver da mulher), mas conseguiu um habeas corpus, no final do ano passado. Ele sempre negou a autoria do delito.A história, digna de um roteiro de filme de terror, chocou parentes e amigos de Maria Emília e levou os pais dela ao desespero. Luiz Ubaldino Florêncio e Marlene Florêncio querem uma resposta para o sumiço da neta. Ele, que até hoje não abandonou as buscas à criança, suspeita que Vivian foi assassinada, como a mãe, caso contrário já teria aparecido. Ela não concorda com o marido: “Acho que minha neta está com algum parente de Prado. Se ele for julgado e condenado, pode ser que a menina apareça. Esta é a minha esperança”, diz. Com um cartaz com o retrato de Vivian, eles ainda percorrem delegacias em busca de ajuda e fazem um apelo a qualquer pessoa que possa auxiliar a resolver o caso: “Se alguém puder nos ajudar, que por favor não se omita. Procure a polícia”, pedem.
Era pra ser uma história de amor Emília, que tinha dois filhos de um primeiro casamento e estava separada, trabalhava como caixa de um supermercado em Curitiba. Lá conheceu Prado, que fazia “bico” de segurança. Houve um relacionamento entre eles, embora o PM fosse casado, e Vivian seria fruto deste romance. O sargento nunca assumiu a criança e não queria que sua mulher soubesse da traição.
Cientes da situação, os familiares de Maria Emília insistiram para que ela cobrasse a pensão alimentícia do suposto pai de Vivian. A artesã morava com os três filhos, de 3, 11 e 14 anos, no Barreirinha, e passava por dificuldades financeiras. O sargento estava lotado no Grupo Águia, da PM, e parecia estar bem de vida. Convencida pela família, Maria Emília marcou encontro com Prado, na noite de 4 de março de 2005, para acertar a situação. Passou na creche em que Vivian ficava e foi com a menina até a Praça Tiradentes. Talvez sua intenção fosse sensibilizar o suposto pai com a presença da criança.
A partir de então não se sabe ao certo o que aconteceu. Prado confirma que marcou o encontro e garante que não compareceu. Cinco dias depois, o corpo de Maria Emília foi encontrado nu, numa cova rasa, no terreno de uma chácara, em Campina Grande do Sul. Ela havia sido morta com um tiro. Sob o cadáver tinha cal, para que a decomposição fosse acelerada. Vivian nunca mais foi vista.
Preso
Em 12 de março foi decretada a prisão de Prado, como principal suspeito do crime. Em abril ele foi denunciado pelo Ministério Público, já como autor do assassinato da mulher e responsável pelo sumiço da menina. As investigações levavam a crer que Prado seqüestrou as duas, levando-as até Campina Grande do Sul na viatura do Grupo Águia, pois trabalhava como motorista. Matou a artesã com um tiro na cabeça e dispensou o corpo à margem da estrada, na cova rasa. “Uma hora e meia depois ele apanhou sua amante, também policial militar, no Centro Politécnico da Universidade Federal, para construir um álibi, porém, durante o interrogatório ela afirmou que achou estranho o fato de Prado estar com os sapatos sujos de barro e com folhas. Quanto à menina, não temos idéia do que possa ter acontecido”, disse, na época, um dos investigadores do Sicride (Serviço de Investigação da Crianças Desaparecidas). A viatura foi periciada e segundo consta, havia vestígio de cal no porta-malas.
Fonte: Paraná Online
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OS AVÓS DE VIVIAN
Faz dois anos que dona Marlene Cacciatore Florencio e o marido, Luiz Ubaldino Polli Florencio, realimentam, diariamente, as esperanças de conseguir alguma notícia sobre o paradeiro da neta, Vivian Florencio, que hoje teria 5 anos. A menina foi vista pela última vez no dia 4 de março de 2005, em companhia da mãe, Maria Emília Cacciatore Florencio.
Mãe e filha saíram de casa, na Vila Santa Efigênia, Barreirinha, em Curitiba, para um encontro com o suposto pai de Vivian, o policial militar Edson Prado, para tratar do pagamento de pensão alimentícia. Cinco dias depois, o corpo de Maria Emília foi encontrado numa cova rasa em um matagal no município de Campina Grande do Sul, com o rosto e as mãos cobertos de cal – para acelerar a decomposição e dificultar o reconhecimento. Da criança, porém, não há qualquer sinal desde então.
Prado foi denunciado por homicídio doloso (com intenção de matar) por motivo torpe e ocultação de cadáver e permanece detido até o julgamento – mas também não deu qualquer informação sobre a menina. O processo, que corre na 3.ª Vara Criminal de Curitiba, está com a defesa para as alegações finais. Na seqüência, o juiz Mauro Bley Pereira Júnior decide se o policial vai a júri popular. Se for condenado, Edson Prado pode pegar reclusão de 12 a 30 anos pela primeira acusação, e de um a três pela segunda. Prado também responde a Inquérito Policial Militar, que segundo a assessoria da PM está parado desde junho do ano passado, quando a defesa solicitou laudos de sanidade mental do acusado. Até hoje, entretanto, esses laudos não ficaram prontos.
“Eu tenho esperança de que ele vá a júri popular e confesse o que fez com a minha filha e a minha neta”, comentou a avó de Vivian, que hoje cria os outros dois filhos de Maria Emília – Evandro, de 16 anos, e Vanessa, de 12. “A gente faz um apelo para que esse homem acorde e diga o que aconteceu, porque ele estragou a nossa vida e a dele.”
Ela diz que tem conseguido suportar a dor graças à religião. “Se não fosse a nossa fé, não sei o que seria de nós. Mas eu ainda acredito que ela esteja viva”, relata. “Toda manhã a gente acorda pensando que vai receber algum telefonema com notícias dela, mas até agora nada. Uma vez ligaram de Irati e outra de Piracicaba, mas nenhum dos casos tinha a ver com a Vivian.” Marlene e o marido também espalharam mais de 15 mil cartazes com a foto da neta, mas não houve qualquer retorno.
A avó falou ainda dos reflexos da tragédia nos dois irmãos da menina: “Tem sido muito difícil, até hoje a Vanessa às vezes fica fechada no quarto, chorando”, comentou. “Como a minha filha não tinha marido, ela era tudo para eles: mãe, pai, amiga, companheira, e eu tive que assumir tudo isso.”