domingo, 22 de fevereiro de 2009

APRESENTAÇÃO

A PAIXÃO PELOS LIVROS É A MAIS BENÉFICA das compulsões humanas. A bibliomania, o "furor de ler os livros e de os ter", como defeniu d'Allembert, garante a quem por ele é acometido prazeres sutis e constantes. Para um bibliômano como Montaigne, a companhia dos livros é preferível aos dos homens e das mulheres. A biblioteca é uma espécie de harém, nas palavras de Emerson, ou a própria imagem do paraíso, na opinião de Borges.
Flaubert nos apresenta a história do louco por livros que chegou ao extremo do assassinato. Já Miltom advoga que a morte de um livro é mais odiosa que a morte de uma pessoa. "Quem mata um homem mata uma criatura racional, feita a imagem de Deus, mas aquele que destrói um bom livro mata a própria razão, mata a imagem de Deus." Tanto poder fez do livro uma ameaça a ímperios. Condenado que foi por ler e pensar por conta própria, o russo Chalámov, em texto inédito no Brasil, reconta sua dolorosa passagem pelos campos de concentração soviético através dos raros livros que pôde ler.
À mesma época, do outro lado do mundo - política e geograficamente -, Saroyan enfrentava o dilema entre separar-se de seus livros ou sobreviver.
Quem, por outro lado, goza em tranquilidade da companhia dos livros nos dá testemunho de seu prazer. Plínio Doyle e Carlos Drummund, amigos entre si, partilham em seus textos os momentos de felicidade proporcionados pelos livros, endossando a frase de Montesquieu, que nunca conheceu dissabor que uma hora de leitura dessipasse.
"A virtude paradoxal da leitura é de nos abstraír do mundo para nele encontrar algum sentido", diz Pennac. Em momentos em que o mundo não parecia fazer qualquer sentido - entre guerras e choques de utopias- os livros e os bibliófilos atravessaram momentos desesperadores e sobreviveram fortalecidos. Se hoje o mundo nos mostra mais encertezas que esperanças, não será a paixão pelos livros uma forma de reafirmar os valores do homem que jamais serão abalados pela política e pela guerra?
por meio dos textos reunidos neste livro os editores desejam contribuir para que o amor aos livros seja disseminado em nosso país que ainda precisa conquistar para seu povo o acesso ao livro. Queremos contagiar o maior número possível de pessoas , ou, no dizer de José Mindlin, inoculá-las com essa loucura mansa.

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